A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigou um homicídio registrado no Presídio Regional de Araranguá.
O detento Ramon de Oliveira Machado, de 31 anos, foi assassinado na noite de 20 de fevereiro no alojamento do regime semiaberto, onde estavam outros 27 detentos
À época do crime, um dos presos assumiu a autoria aos policiais penais. No entanto, ao ser ouvido na delegacia pelo delegado plantonista, exerceu o direito de permanecer em silêncio, o que levantou suspeitas do delegado Jorge Giraldi.
Com o avanço das investigações, foi apurado que o crime foi cometido com a participação de outros dois detentos e teria sido motivado por uma discussão banal dentro do ambiente carcerário.
O que mais chamou a atenção dos investigadores foi a brutalidade do crime. O laudo pericial apontou que Ramon foi morto com 160 estocadas pelo corpo, desferidas com uma espécie de estilete artesanal, confeccionado com um vergalhão afiado manualmente.
Segundo a investigação, a vítima foi atingida por dois golpes iniciais enquanto jogava baralho. Em seguida, correu até uma das camas do alojamento, onde recebeu dezenas de outras estocadas.
Após o homicídio, o corpo foi arrastado com um lençol até o banheiro e lavado com água sanitária na tentativa de eliminar impressões digitais, conforme relataram os próprios detentos.
As roupas da vítima foram descartadas no vaso sanitário. Posteriormente, o preso que inicialmente assumiu o crime arrastou novamente o corpo até o alojamento, chamou os policiais penais, apresentou a arma utilizada e declarou ser o autor.
O delegado destacou que a crueldade do crime causou reprovação até entre outros detentos.
“Quando atingida, a vítima pedia insistentemente por clemência”, afirmou.
O inquérito policial já foi encaminhado ao Fórum, com o indiciamento dos três detentos.
Eles devem responder por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e pelo fato de a vítima não ter tido chance de defesa, além do crime de fraude processual, pela tentativa de ocultação de provas.