“Bom dia, prefeito, como vai? Bom dia, prefeito, você tira nossos direitos e a gente tira a sua paz.” Foi com uma adaptação em tom de paródia, inspirada nas músicas cantadas diariamente com crianças nas salas de aula, que cerca de 200 professoras e profissionais da educação ligadas à Afasc iniciaram a manifestação na manhã desta quinta-feira, dia 14, em frente ao Paço Municipal Marcos Rovaris, em Criciúma.
Por volta das 7 horas, o grupo ocupou o espaço em frente à Prefeitura de Criciúma com cartazes, palavras de ordem e músicas que transformaram a rotina escolar em ferramenta de protesto. A manifestação marcou o terceiro dia de greve da categoria e reforçou a pressão por avanços nas negociações.
A principal reivindicação dos profissionais envolve a aplicação do piso nacional do magistério. Atualmente, o valor estabelecido é de R$ 5.130,64. Segundo representantes da categoria, os professores recebem atualmente cerca de R$ 3,1 mil, diferença que, segundo os trabalhadores, vem gerando uma defasagem salarial considerada insustentável.
A mobilização ocorre em meio ao impasse entre a categoria e a Afasc. Nesta quinta-feira, dia 14, a paralisação ganhou um novo capítulo após o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) negar mais um recurso apresentado pela entidade para tentar suspender a greve.
A Justiça entendeu que não foram apresentados fatos novos capazes de modificar a decisão anterior. Com isso, a paralisação segue mantida e entra no terceiro dia sem definição, enquanto a categoria amplia a mobilização em busca de avanços na pauta salarial.
Paralelamente ao movimento, a Prefeitura de Criciúma também busca alternativas para enfrentar a situação. O município já iniciou conversas com o SESI diante da possibilidade de uma futura substituição da Afasc na prestação do serviço de educação infantil. Além disso, a administração municipal segue adotando medidas para minimizar os impactos às famílias, como a distribuição de kits de alimentação nos CEIs, garantindo ao menos o acesso aos alimentos durante o período de paralisação.